A escrita não é um mero registro; é o próprio ato de existir. Cada caractere que piso na folha em branco funciona como um tijolo invisível, construindo uma ponte sobre o abismo do silêncio. Ao andar entre as letras, percebo que não procuro respostas prontas, mas sim a coragem de habitar as próprias perguntas. No labirinto do verbo, o homem se encontra e se perde. Pois quem decifra o eterno, na própria vida se verte. Não sou o que pensa, sou o que caminha no texto. Na linguagem densa, descubro meu próprio pretexto. A vida não está no ponto final, mas no espaço em branco entre as palavras, na imensidão do que ainda não foi dito. É ali, na abertura do possível, que a consciência se liberta do peso das horas. Escrever é desaprender o mundo para poder tocá-lo em sua nudez original. Olho para trás e vejo rastros de tinta; olho para a frente e vejo o infinito. Rompi as margens da ilusão e as fronteiras do medo. Meu destino é o próprio movimento do pensamento. Cheguei ao centro da existência. Pois andar entre as letras é habitar o deserto, até que o próprio universos e mostre de alma aberta.